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Concurso Escolar - Ler & Aprender 2017

ler aprender 2016Os alunos da Escola Profissional de Anadia participaram pela primeira vez no concurso Escolar Ler & Aprender 2017, promovido pela Biblioteca Municipal de Anadia, enquadrado no Projeto de Promoção do Livro.

A Escola não podia deixar de estar mais orgulhosa, uma vez que um dos três trabalhos entregues, se destacou entre tantos outros, conseguindo alcançar um honroso segundo lugar.

O trabalho intitulado A Carta foi redigido pela aluna Jacinta Pinheiro do 2º ano do Curso Técnico de Restaurante/Bar e pertence ao género narrativo.

A cerimónia de entrega dos prémios está prevista para o dia 03 de Julho, na Biblioteca Municipal de Anadia.

PARABÉNS JACINTA!

Aqui fica o trabalho para que todos o possam ler!

  

 

A Carta

            O meu pai anda muito estranho, ele chamou-me e fomos até à sala:

           - Matilde, quando a tua mãe estava grávida de ti ela escreveu isto para ti. Olhei e vi um envelope que logo peguei e abri.

           “Matilde, agora deves ter os teus 16 anos, a altura em que pedi ao teu pai para te entregar esta carta, aqui vais descobrir mais sobre o que aconteceu.

            Nunca tive uma vida muito fácil, tanto na escola como no orfanato. Eu sou a Leonor, tenho 19 anos e sou a tua mãe.

            Durante a minha vida não tive muita alegria, nunca tive amigos, nem família.

            Muitas raparigas da minha idade só pensavam em maquilhagem, roupa, corpos lindos e chamar á atenção de toda a gente. E eu no que pensava?

            Eu pensava todos os dias e todas as noites em ter uma família que me aceitasse como sou, que gostasse de mim, que me respeitasse, que me protegesse e que me amasse, sonhava em sair daquele orfanato e construir uma família com um amor que me respeitasse e me apoiasse em tudo. E esse alguém apareceu…

            O nosso encontro não foi dos melhores mas a nossa história foi uma das mais lindas que conheço, éramos diferentes, tínhamos discussões como toda a gente mas o nosso amor venceu tudo.

            Nós conhecemo-nos por mero acaso quando eu tinha 16 anos, juntos passámos por muita coisa; mentiras, traições, medos, pesadelos e alegria. Eu e o teu pai sempre fomos muito unidos e muito cúmplices, sei que é difícil crescer sem uma mãe, mas eu tenho a certeza que o teu pai está a fazer um bom trabalho.

            É difícil para mim escrever isto visto que nunca te verei, mas eu quero que saibas que te amo mesmo assim e espero que tu também, mesmo nunca me tendo conhecido.

            Eu engravidei de ti aos meus 19 anos, eu sei era muito jovem mas eu queria-te, tal como o teu pai. Nós fizemos muitas consultas até que chegou a notícia mais horrível que uns pais podem ouvir. Nós teríamos de escolher entre a minha vida e a tua. Se eu escolhesse a tua, tu irias ter o mesmo problema que eu quando engravidasses, se eu escolhesse a minha eu não poderia ter filhos pela mesma razão. Não é muito difícil a escolha de uma mãe, mesmo muito jovem eu escolhi-te a ti. Não foi uma escolha difícil para mim, mas o teu pai não se conformava, sei que agora contigo perto, ele no fundo sabe que foi a melhor escolha que eu pude ter feito e eu também acredito nisso.

             Eu irei morrer daqui a uns dias no teu parto e quero que saibas que fui feliz o tempo que estive ao lado do teu pai e que ele foi o homem que me fez sentir importante até o fim da minha vida.

           Filha, mesmo não estando do teu lado eu estou a proteger-te e quero que sejas feliz e que encontres alguém especial tal como eu encontrei o teu pai, não deixes ninguém te rebaixar porque tu és uma guerreira, todos os dias lidas com a morte de uma mãe que nunca conheceste e mesmo assim choras por ela.

            Eu como mãe não estou aí para te dizer o que fazer nos teus maus momentos e nos bons mas acredita eu estarei no teu batismo, nos teus aniversários, no teu baile, na tua formatura, no teu casamento e no nascimento do meu neto.

            Queria-te pedir mais um favor, diz ao teu pai que o amo e que nunca o vou esquecer e que vou olhar por ele todos os dias. Quero que ele encontre alguém com quem partilhe tudo, tal como fez comigo.

            Matilde, agora é altura de dizer o nosso adeus para todo o sempre, a hora tinha de chegar e essa hora é agora.

            Nunca te esqueças que te amo!

Amor…

Mãe”

           Quando fechei a carta notei que chorava bastante, abracei o meu pai e dei-lhe a carta para ele ler. Enquanto ele lia fui até ao escritório da minha mãe, abri a porta e fui até ao seu retrato.

          - Mãe, não te preocupes eu sei que estás a olhar por mim e isso é reconfortante. Sei que serias uma ótima mãe, mas mesmo assim o pai fez um bom trabalho. Amo-te mãe.

           Beijei a sua face e sentei-me na sua cadeira com o seu retrato ao meu colo onde me caiu um lágrima e adormeci na sua secretária.